A DESELEGÂNCIA DISCRETA DA MENINA
Gosto da menina que não mostra as curvas, embora as tenha em proporção simétrica ao seu tamanho, uma pequena obra que só se nota o fino aroma quando atento. A menina não se dá a olhares displicentes, para quem o divide entre trânsito, comida, contas a pagar e receber. A menina pede mais. E na maioria das vezes recebe.
Ela não fica cansada, tem soninho!
É beleza que não se mostra na primeira entrevista, que não se expõem na ficha de cadastro, que tem mais caracteres do que os cabíveis no formulário. Se fosse para explicar, teria que ser em manuscrito, com caderno de caligrafia, fazendo aquela voltinha no “h” do charme, com uma perninha no “p” de perninha. Sim, porque a deselegância discreta vem no diminutivo, quase uma amostra do que se pode vir a conhecer... Discretamente.
Ela não come bolo, come bolinho!
Quando sorri – é possível de medir matematicamente – a boca se abre por exatamente um segundo, o pescoço se inclina um pouquinho para cima, como se a graça fosse dos céus, e fica aquele breve instante de silêncio. Após pode tanto vir um sorriso de simpatia quando uma gargalhada capaz de laurear a piada em questão. Ou não. E aí está o suspense, a imprevisibilidade discreta da menina.
Fala baixo, baixinho.
Se fosse uma música, não teria percussão. O compasso seria marcado por um instrumento de corda, a suavidade de um violino. Se fosse vento, pouparia as folhas. Se fosse tela, não teria moldura. Se fosse bailarina, não teria sapatilhas... Suave, pequena, discreta... Menina.
terça-feira, dezembro 28, 2004
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Um comentário:
Adorei!!!
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