Da série quarta-feira vendo um futebolzinho na TV
A Gestão de Pessoas, assunto tão em moda entre os candidatos a altos cargos nas empresas, me parece que ainda não olhou com olhos atentos para o futebol. Não, eu não sou consultor, não sou palestrante ou coisa parecida. Tampouco jogo futebol. Aliás, jogo, mas algo que deveria ser restrito a quatro paredes. Do banheiro. Vergonhoso.
Penso que não exista nada melhor para que se conheça alguns aspectos fundamentais do caráter do que atividades de grupo. No grupo, alguns pensam que se escondem, mas todos se destacam. Nas diferenças o caráter aflora. Ou a falta de dele.
Se eu fosse um grande executivo, alguém com poder numa empresa (ato falho, olha eu me colocando como candidato à CEO), colocaria como parte do processo de seleção uma partidinha de futebol com o pessoal da “firma”. E ficaria só de butuca, só de zóio, como se diz por aí.
Eu gosto de ver gente que conheço, de preferência colegas de trabalho, jogando futebol. Não é feitiche nem perda de tempo, é sim uma ferramenta pra conhecer melhor aquele com quem você divide boa parte do seu dia.
Todos querem ser artilheiros, crescemos (pelo menos aqui no meu bairro) fazendo de duas pedras as traves, driblando no antipó tendo a inspiração daqueles ídolos da década de 80: Zico, Sócrates, Rivelino e por aí vai... Natural que cada um, pelo menos os do sexo masculino que trazem consigo a “Febre de Bola” (com a devida licença do Nick Hornby), queiram mostra que podem chegar lá, mesmo que o “chegar lá” signifique ir da área de defesa à linha do gol, sozinho. E aí? Quem é este cara que não divide a sua possibilidade de sucesso? E aquele que na defesa olha para baixo e prefere peitar dois do ataque quando poderia subir a visão e passar para o colega de retranca ao lado? Quem é este nas dificuldades do dia a dia?
Já tentei olhar uma empresa como um grande time, tal como ouvi um consultor dizer certa feita. Claro, confesso que levei um pouco ao pé da letra. Coloquei, mentalmente, a galera em campo. O departamento de recursos humanos eu deixei no meio de campo, administrando os conflitos. As gerências e as chefias diretas joguei nas laterais, fazendo a ponte entre a retranca e o ataque. Aliás, na retranca não me veio outro nome que não o departamento financeiro, segurando tudo e afastando de si a possibilidade de cair num placar negativo. No trio de ataque (sim, eu trabalho com três, dá licença?), duas superintendências, deixando o posto do matador (as glórias) para a presidência. Que tal? De técnico, fica o consultor que inspirou o TIFICLUBE (Time da Firma Futebol Clube). Eu fui pro gol, não sei exatamente o porquê. Esta fica para o leitor analisar.
quarta-feira, maio 18, 2005
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